domingo, 28 de fevereiro de 2010

Manifesto de apoio a Denise Bottmann

Causou comoção entre todos os profissionais ligados aos meios editoriais do País a notícia de mais um processo movido contra a tradutora Denise Bottmann, em decorrência de denúncias de plágio de tradução, por ela veiculadas em seu blogue Não Gosto de Plágio.

Diante do número de plágios desmascarados ao longo dos últimos anos por essa incansável profissional, ficou claro que a extensão de tal delito é muito maior do que qualquer um poderia imaginar quando das primeiras descobertas. Desta vez o processo é movido pela Editora Landmark, que apresentou em juízo as seguintes pretensões: vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais; publicidade restrita (ou seja, andamento do processo sob sigilo de justiça); remoção do blogue Não Gosto de Plágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”; antecipação dos efeitos da tutela de mérito (ou seja, determinação da remoção imediata do blog antes do exame do mérito da ação impetrada).

O fato é que, em pouco tempo, o referido blogue se tornou amplamente conhecido e converteu-se num ponto de referência certamente incômodo para os que, até seu advento, não eram molestados no tranquilo afã de copiar traduções esgotadas e lançá-las no mercado com nomes reais ou fictícios, nem de longe assemelhados aos dos verdadeiros tradutores. Assim, considerando a necessidade de que essas denúncias não só tenham prosseguimento, mas também se ampliem e aperfeiçoem, nós, abaixo assinados, nos mobilizamos a favor do desmascaramento de uma prática que:

1. fere a Lei de Direitos Autorais, que considera o tradutor como autor de obra derivada e salvaguarda seus direitos morais e patrimoniais;

2. configura concorrência desleal, pois as editoras de má-fé, não arcando com os custos dos direitos de tradução ou não pagando por uma retradução, põem em desvantagem as editoras que, pautando-se pela idoneidade, assumem tais custos;

3. atenta contra nosso patrimônio cultural, ao disseminar a cópia fraudulenta de obras muitas vezes assinadas originalmente por nomes reconhecidos e estimados de nossa literatura.

Pelos motivos acima, confiando que a justiça realmente será feita, publicamos esta manifestação de apoio aos esforços de Denise Bottmann, conclamando à adesão todas as pessoas interessadas no combate à prática delituosa do plágio e no enriquecimento das interações culturais neste país.

Heloisa Jahn
Jorio Dauster
Ivo Barroso
Ivone C Benedetti

IMPORTANTE: Se você quiser aderir a este manifesto, saiba que temos um abaixo-assinado em:

http://www.petitiononline.com/Bottmann/petition.html


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

BERTOLT BRECHT



Não sei em que livro se encontra essa tradução de Manuel Bandeira. Retirei-a do site Releituras que, por sua vez, afirma ter usado a versão impressa pelo caderno "Mais", da Folha de São Paulo, de 07/07/2002. Brecht tornou-se um representante da contramão, da marginalidade poética. Causaria náuseas e provocaria desmaios de muitos poetas contemporâneos a contaminação da poesia com questões sociais e o seu envenenamento com um fio de esperança a anunciar um mundo diferente do reino de misérias em que afundamos.



Aos que vierem depois de nós

Bertolt Brecht


Tradução de Manuel Bandeira


Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranquilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.


Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais frequentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

EDITORA LANDMARK ATENTA CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

POEMARGENS MANIFESTA TODO O SEU APOIO A DENISE BOTTMANN

Acusada de plágio pela blogueira Denise Bottmann com argumentação irrefutável, a Editora Landmark ingressou na justiça, solicitando segredo de justiça para abafar a repercussão da denúncia. Além disso, a referida empresa teve a cara de pau de pedir a retirada do blog Não Gosto de Plágio da internet.

O ato de retaliação da editora é um gesto de terrorismo editorial, um atentado à livre manifestação do pensamento e uma estratégia para desviar a atenção da justiça sobre a ação ilegal promovida pela prática de traduções piratas, nas quais os nomes de tradutores mortos são substituídos por tradutores fantasmas para engordar o lucro dos negociantes de livros.

Publico depoimento da autora da denúncia. Acompanhe a questão com mais detalhes no blog da Denise Bottmann. O endereço é: http://naogostodeplagio.blogspot.com/

23/02/2010

justiça e internet

sexta-feira recebi uma carta de citação da quarta vara cível de são paulo.

numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.

além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- "publicidade restrita", isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o "direito de esquecimento",
- "antecipação dos efeitos da tutela de mérito", isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.

o juiz, em seu despacho, não determinou segredo de justiça e negou a antecipação de tutela, por considerar que se trata de uma questão complexa, envolvendo discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet, sendo necessária uma análise mais apurada dos fatos para verificar a verossimilhança das alegações.

entre as variadas reações extrajudiciais e judiciais que tenho enfrentado a partir das denúncias feitas aqui no nãogostodeplágio, esta é a primeira que solicita a remoção do blog.

isso, a meu ver, extrapola o campo em que devo me defender contra acusações de pretensa denunciação caluniosa e adquire envergadura mais ampla. estamos aqui numa seara muito mais delicada e fundamental, a saber, a simples e básica necessidade de constante defesa do estado de direito, contra tentativas de amordaçamento e atropelo das garantias democráticas da sociedade.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PASOLINI

Agonia, de Manabu Mabe



























AS CINZAS DE GRAMSCI


Pier Paolo Pasolini


IV



O escândalo de me contradizer, de estar
contigo e contra ti; contigo no coração,
à luz do dia, contra ti na noite das entranhas;

traidor da condição paterrna
- em pensamento, numa sombra de acção –
a ela me liguei no ardor

dos instintos, da paixão estética;
fascinado por uma vida proletária
muito anterior a ti, a minha religião

é a sua alegria, não a sua luta
de milénios: a sua natureza, não a sua
consciência; só a força originária

do homem, que na acção se perdeu,
lhe dá a embriaguez da nostalgia
e um halo poético e mais nada

sei dizer, a não ser o que seria
justo, mas não sincero, amor abstracto,
e não dolorida simpatia…

Pobre como os pobres, agarro-me
como eles a esperanças humilhantes,
como eles, para viver me bato

dia a dia. Mas na minha desoladora
condição de deserdado,
possuo a mais exaltante

das poses burguesas, o bem mais absoluto.
Todavia, se possuo a história,
também a história me possui e me ilumina:

mas de que serve a luz?




In: Pier Paolo Pasolini. Poemas. Trad. Maria Jorge Vilar de Figueiredo. Lisboa: Assírio &; Alvim,

2005.


REVISTA ARCHIPIÉLAGO - N° 66 - MÉXICO

ALFABERTO PÓS-GALÁTICO


Evan Holloway (EUA - 1967) - Book, 2004, escultura, metal, plaster and paint



Zantonc, o enigmático e único colaborador desse blog, enviou sua última produção (?). Mandou também um longo e tedioso manifesto em que defende uma poesia contra a leitura, pregando a destruição de qualquer legibilidade. Sustenta que por trás de todas as formas de entendimento subjaz o instinto dominador, manipulador, pelo qual a comunicação revela-se não um processo de troca, mas de luta feroz por domínio. O outro, aos seus olhos, é alvo. Destruir a legibilidade é inviabilizar a transformação do leitor em vítima e dar-lhe a única coisa que pode ser oferecida pela poesia com honestidade - nada.

Claro que joguei o manifesto na lixeira. Todos manifestos são declarações inócuas, redigidas em estilo grandiloquente e esquizofrênico. Além disso, já estamos no século XXI.

Acredito que Zantonc esteja internado em alguma instituição perfeitamente inútil à atividade de recuperá-lo. Recuperar para quê? Para esse circo de horrores denominado realidade? Para essa terra de corruptos e canalhas travestidos de autoridades? Como amigo de Zantonc, a quem defendo de armas nas mãos, quero tornar público o meu protesto contra a enfadonha leitura do atual diz/curso poético, a sofisticação técnica com que se diz coisa alguma, a elegância das referências inodoras e a poética rançosa das evidências, da flor do óbvio, e do caralho a quatro, desses poetas citacionistas e situacionistas, fugitivos da maldição poética, que agora desfrutam o ar burocráticos de empregos universitários, fanchones da nova ordem mundial, carreiristas do vento mobilizados pelo pestilência do umbigo e o fedor do capitalismo decadente.

Desculpe, leitor, passei mal, vomitei formas metapoéticas e novos poetas franceses. Não se preocupe, vou tomar meu remedinho.


ALF@BERTO PÓS-GALÁTICO

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PERIÓDICO DE POESÍA





A REVISTA PERIÓDICO DE POESÍA, DA UNIVERSIDAD NACIONAL AUTÓNOMA DE MÉXICO, PUBLICOU EM SEU NÚMERO ATUAL DOIS POEMAS MEUS.

QUEM QUISER CONHECER O EXCELENTE TRABALHO DESENVOLVIDO PELA REVISTA O ENDEREÇO É http://www.periodicodepoesia.unam.mx/


domingo, 7 de fevereiro de 2010

POESÍA CHICANA

La poesía chicana contemporánea se escribe principalmente en el suroeste de los Estados Unidos de Norteamérica, es decir, en Texas, Nuevo México, California, Arizona y Colorado. Casi todos los poetas son de ascendencia mexicana y por lo mismo escriben tanto en español como en inglés o en ambos idiomas simultáneamente. La poesía escrita del todo en inglés, dentro del precario interés editorial norteamericano por esta literatura, es la más conocida a causa de su más cómodo mercado en un país predominantemente anglófono. Es bastante difícil conseguir los libros de poesía chicana escrita en español. La mayoría de ellos han sido publicados por casas editoriales muy pequeñas para competir con los monstruos libreros de ese país. Esta situación ejemplifica el coloniaje a que está sometida la cultura chicana y el chicano mismo, así como la necesidad de elaborar selecciones que hagan más accesible al público general la expresión poética en lengua castellana. Sin embargo, a pesar de que hay alrededor de treinta antologías de literatura chicana, únicamente son dos las que parcialmente han reunido la poesía que nos ocupa. Una es El espejo / The Mirror (1969 y 1972) y Festival de Flor y Canto: An Anthology of Chicano Literature (1976). Ambas antologías dedican una sección, dentro de la literatura chicana global, a la poesía tanto en inglés como en español.

La presente antología intenta mostrar al público mexicano un panorama mínimo de las preocupaciones, tendencias y temas palpables en la poesía chicana escrita en español. En ella se encuentran poetas totalmente convencidos de la función política, social y militante de la escritura. Tal es el caso de Ricardo Sánchez y Lalo Delgado, originarios de El Paso. Sánchez es un ex presidiario que ha desarrollado con gran libertad verbal temas principalmente relacionados con los “barrios” urbanos y los fundamentos de una cultura chicana. Según él la esencia de la poesía chicana es necesariamente política, a causa de la tensión constante exigida al chicano por la presión e influencia de los predominantes valores de la cultura anglosajona. Lalo Delgado más o menos acepta la línea de Ricardo Sánchez, aunque no comparte su intransigencia. En sus libros más recientes Lalo ha señalado que si el movimiento chicano quiere sobrevivir, precisará abrirse a ideologías no-chicanas. Él ya no acepta más el original slogan movimientista: “Dentro de la Raza todo, fuera de la Raza nada.” Lalo escribe aparentemente con el descuido propio al habla de los trabajadores agrícolas migratorios de los Estados Unidos, cuyo mundo intenta presentar.

La actitud política no está ausente en ninguno de los poetas restantes, pero nunca adquiere en ellos exclusividad. Ellos, además de la política, tienen otras preocupaciones.

La inquisición histórica y nostálgica de las raíces propias es un tema frecuente en la poesía chicana toda. A los poetas interesa hacer ver la familiaridad del pueblo chicano con la historia y cultura de México, de España y de Tenochtitlán. Se sienten especialmente atraídos por algunos aspectos y símbolos de la cultura náhuatl. Así Rafael Jesús González y Alurista exaltan lo azteca en casi todas sus poesías. El primero es un profesor universitario de filosofía que gusta de la precisión y la sutileza al escribir. El segundo experimenta continuamente técnicas poéticas diversas, pero siempre las acompaña con una rítmica fusión del inglés y el español.

Sergio Elizondo tiene decidido sabor costumbrista, acompañado frecuentemente de humorismo. Sus escritos son un viaje sutil y profundo por la vida chicana de antes y de ahora.

Aristeo Brito, Tino Villanueva y Javier Gálvez escriben poemas de temática más universal. Brito se preocupa por los problemas concernientes a Dios, el diablo y el tiempo, casi siempre enmarcados en el infernal calor de su querido Presidio, Texas. Tino Villanueva muestra diversas facetas del tiempo y la duración, mientras que Javier Gálvez reflexiona sobre el proceso de la escritura.

Los poetas chicanos están legítimamente orgullosos de las peculiaridades lingüísticas de su español, las cuales no siempre se conforman a las normas del español escrito en otras partes del mundo hispánico. En su lucha por adquirir identidad propia, ellos consideran el idioma algo esencial. Por tales razones de respeto elemental se transcriben aquí los textos de los poemas con estricta fidelidad a los originales. La traducción de los fragmentos en inglés de algunos poemas se da en la nota correspondiente; no podía hacerse dentro del texto del poema sin destruir su autenticidad.

FERNANDO GARCÍA NÚÑEZ
Departamento de Literatura
Universidad de Texas em El Paso


Catarsis - Pilar Hinojosa


















ANTOLOGÍA POÉTICA


ALURISTA
(Alberto Baltazar Urista Heredia)



Nal (mazorca) - Adelia Sayeg





















EN EL BARRIO

en el barrio
‒ en las tardes de fuego
when the dusk prowls (1)
en la calle desierta
pues los jefes y jefas
trabajan
‒ often late hours
after school
we play canicas
in the playground
abandoned and dark (2)
sin luces
hasta la noche
we play canicas
until we grow
to make borlote
and walk the streets
con luces
paved ‒ with buildings (3)
altos como el fuego
‒ el que corre en mis venas
______

1 cuando la oscuridad merodea
2 con frecuencia a deshora/ después de la escuela/ jugamos canicas/ en el patio/ desierto y oscuro
3 jugamos canicas/ hasta que crecemos/ para hacer borlote/ y recorrer las calles/ con luces/ pavimentadas ‒ con edificios


RICARDO SÁNCHEZ


Hull K'iin (rayo de sol) - Adelia Sayeg

























OYE, PITO, ÉSTA ES: LA VIDA BRUTA DE UN BOY

(Fragmento)

mis tierras eran
nuevo méxico, colorado,
california, arizona, tejas,
y muchos otros senderos,
aún cuando la luz existía
sonrientemente
en las palabras
de mis antepasados...

era entonces hombre,
maduro y sencillo
como los cerros y los peñascos,
y mi cultura era el atole,
el chaquehue, y los buenos días;
mi idioma cantaba
versículos
por los cañones
de tierra roja
y tierra amarilla...

Hoy sí, hoy ya no soy
mejicano ni hispano
ni tampoco americano,
pero soy ‒ y bien lo siento ser ‒
una sombra del pasado
y un esfuerzo
hacia el futuro...


RAFAEL JESÚS GONZÁLEZ



Muuk (fuerza) - Adelia Sayeg
























EL ECLIPSE

Luna roja ‒
luna muerta ‒
luna ciega ‒
amarga y gris ronda,
flor de ceniza de cigarro,
amor tuerto con cicatriz en la mejilla
te vi obscurecer;
te vi apagar tu mirada fría
y luego sonrojarte al ver mi pensamiento. ‒
Dime luna roja ‒
luna muerta ‒
luna ciega
si mi vivir es un eclipse de la tierra.


TINO VILLANUEVA


Kaak Naab (mar) - Adelia Sayeg


















ESCAPE

A mi abuelo, Mauricio “Güicho” Ríos,
Lampasos, Nuevo León, México (1882)
San Marcos, Texas (1963).


su invisible cuerda.
el tiempo: de sol a sol mi abuelo
lo ignoraba.
sin atrasarse metía sus dedos ágiles
entre
los tictacs desmayados,
cada tornillito tenía su lugar.
oscilación. movimiento. precisión.

isócronos muelles
al compás de sus muñecas;
con perfección redonda echaba a andar
las manecillas.
la lupa sobre un ojo ‒ magnificación
de un segundo; el escape a cuestas,
el cristal por donde se filtraban
más claro los tictacs.
puntualmente: ‒¿qué hora es? ‒ me preguntaba.

hasta que un día en punto
(en cosa de un instante)
desgastadas se quedaron
sus muñecas
visibles.


SERGIO ELIZONDO


Ahal (despertar) - Adelia Sayeg





















MURRIETA, DOS

Vengo de un lado, pa otro voy.
No tengo padres,
como tú, hijo de la Malinche soy.
No vengo de ninguna parte,
a ninguna parte voy; voy.
No soy nadie;
Soy.
No estoy con nadie;
Soy.
Sé quién soy;
Solo,
como el aire de nadie.
En soledad me abrigo,
como en los árboles me escondo
y sólo ellos están conmigo.
De nada vengo.
De nada estoy hecho, por eso soy.
Mis antiguos españoles
no sabían que eran tierra
que con el agua
de la primera chingada, se mezcló.
¿Qué soy?
Dicen que soy Joaquín ‒
Murrieta me llaman.
Me quisieron quitar quien soy.
yo y los que son no morimos;
sólo las páginas de nuestro
cambio de piel
se van.
Yo no maté a nadie, a nada,
ellos se ensartaron solos;
siguen sangrando
cada vez que se acuerdan de mí
El tiempo es el único que sabe
porque siempre está,
ahí
allá
aquí,
Mis chicanos beben el buen vino
de mi recuerdo,
y me llevan
y gritan,
y cuando gritan les abro
todas las puertas de la vida.
Estoy, en el aire y a todas partes
de la creciente Aztlán voy.


Bin K'iin (atardecer) - Adelia Sayeg


























CHICANOS


Yo, señor, pues soy Chicano,
porque así me puse yo.
Nadie me ha dado ese nombre,
yo lo oí y lo tengo,
es que ya no soy niño: soy hombre.
Mexicoamericano porque hablando nací,
lengua de la Raza.
Americano por estas otras costumbres
de esta gente.
Tengo dos palabras, español e inglés,
a veces bien, a veces mal,
pero dos, ay se va, pues.
Latinoamericano era hace treinta años,
cuando me daba vergüenza mi cara
negando ser lo que era,
pero ya ve, viejo,
uno cambia, pasa el tiempo, piensa.
Americano de ascendencia española,
¿qué es eso, mano?
Qué largo y vacío suena
pero me cubre la cara.


ABELARDO DELGADO


Zapatos - Huascar Taborga

























EL INMIGRANTE


golondrinas cortando betabel,
Americanos de papel,
este México-Americano
o nomás mejicano
que migra con toy familia
a los campos de colorao,
illinois, califa, (4) y michigan
se me hace que no es más que puro gitano.
salmones en el desaije
con un ojo a las colonias
a las cuales muy pronto volverán,
no les voy
a decir porque lo hacen
porque la verdad ni ellos saben,
quizá el cariño a la tierra
mamado de una chichi prieta,
quizá el corazón libre
que dicta la jornada,
aunque el carro esté muy viejo
y la gasolina cara.
turistas sin un centavo
de vacación en nebraska,
aun alabama
es un descanso de tejas.
bumerangas que la mano de dios
por este mundo tiró,
gente buena,
gente honesta,
gente víctima de su necesidad de migrar,
la lechuga o la justicia es lo que van a sembrar.
_____

4 California



JAVIER GÁLVEZ


Zapatos - Huascar Taborga




















MI BARRIO

Calles y callejones de mi barrio
Veins and arteries of an organ of the city (5)
Separados de downtown (6)

This is my kingdom (7)
Aquí yo rifo
The walls (8)
Tienen mi placa
O el mío y el de mi chavala
Por Vida
CON
/
SAFOS

The gaba who owns the factory of the corner (9)
Se caldió
Porque puse mi placa
Right on the door. (10)
Hizo mucho pedo
But what the hell,
He comes only during the working hours (11)
Yo vivo aquí,
Mis jefitos y mis carnalitos
Y todos los batos del barrio
They all live here day and night (12)
Éste es nuestro barrio
He may own the factory, (13)
Pero los batos y yo AQUÍ RIFAMOS:
En las calles y callejones
Mi ranfla (14) rifa como carreta de rey
And in los callejones
Los gatos se descuentan
When they hear my footsteps
Because they echo in the callejones
Just as loud as in any other street. (15)

______

05 Venas y arterias de una parte viva de la ciudad
06 El centro
07 Éste es mi reino
08 Las paredes
09 El gabacho dueño de la fábrica de la esquina
10 En la misma puerta
11 Pero ni modo,/ él únicamente viene a las horas de trabajo
12 Todos ellos viven aquí día y noche
13 Él puede ser muy dueño de la fábrica
14 Carro
15 Cuando oyen mis pisadas/ que resuenan tanto en los callejones/ como en todas las calles.


NOTA: Os poemas estão reunidos em uma antologia disponível no site de Periódicos de Poesía, excelente revista eletrônica de poesia editada pela Universidad Nacional Autónoma de México. O endereço é http://www.periodicodepoesia.unam.mx

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010



CONVITE PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO DE MINHA AMIGA LINA ZERÓN

Amigos, con todo mi cariño los invito a la presentación de un libro que me llevó más de seis años poder concluirlo, entre visitas a Francia, traducción de notas, cintas, investigación, entrevistas, correcciones, más correcciones, pero por fin, el libro estará listo para INVITARLOS A LA PRESENTACIÓN:

CLAUDE COUFFON, LATINOAMÉRICA TRADUCIDA AL FRANCÉS. TODA UNA VIDA.
AUTORA: LINA ZERÓN

CITA: FERIA DEL LIBRO DE MINERÍA EL 26 DE FEBRERO A LAS 19:00HRS, EN LA
GALERÍA DE RECTORES