segunda-feira, 30 de maio de 2011

FELIPE FORTUNA


FELIPE FORTUNA nasceu no Rio de Janeiro, em 1963. Mestre em Literatura Brasileira (PUC/RJ), é poeta e ensaísta, e vem colaborando regularmente na imprensa brasileira. Publicou Ou Vice-Versa (1986), Atrito (1992) e Estante (1997), poemas; A Escola da Sedução (1991) e A Próxima Leitura (2002), crítica literária; Curvas, Ladeiras - Bairro de Santa Teresa (1997) e Visibilidade (2000), ensaios. Traduziu a obra integral da poeta francesa Louise Labé no volume Amor e Loucura (1995). Diplomata, atualmente trabalha em Londres. Em 2005, publicou um novo livro de poemas, juntamente com os três anteriores, no volume Em Seu Lugar (Editora Francisco Alves).

 O excelente poeta mantém o site hptt://www.felipefortuna.com.



Hélio Oiticica























Quase um perfeccionista

Ao andar pelas ruas
e palpitar à luz do dia
(como quem não consegue
chegar à própria casa, dizer
seu nome ao guarda, encontrar amigos
na cidade em que nasceu),
ele insiste e continua.

Sua mão de pele esparsa se contrai,
cada veia atinge em cheio
as suas expressões. É forte,
dizem os médicos, a sua
compleição. E a alma é robusta
como um lilás no meio do lago.

Ao viajar, transporta poucas roupas
dobradas com a emoção que insiste.
Ainda quer superar uma doença
cujo nome esqueceu
e um jardim em que não sabe pisar.
Quando passeia, as crianças, as mulheres
também, os pais e maridos reconhecem
que por ali vai uma pessoa comum e virtuosa,
quase um perfeccionista.



Hélio Oiticica



















Em seu lugar

Arrumo livros
como lembro os rostos,
de memória. Limpo livros
a me esgueirar
por estantes e frestas,
esgrima. Depois
volto a flagrar as lombadas
queimadas de luz
e de gordura dos dedos
(o corpo continua a penetrar
cada leitura).
Ali estive, aquele ali fui eu,
aqui me reencontro,
estranho antes e depois.

Ninguém fala o título:
ele mesmo
soletra a sua inclusão
e se perfila, agora convocado.
Daqui observo, perto e de rapina,
o livro que li e volta para a fila:
sua lombada erguida frente
à dúvida, que não termina.



Hélio Oiticica

























Lendo o mapa


A viagem confirma: outros estiveram aqui
e você veio vê-los, em confiança,
e agora se move nas curvas
e no relevo suave. Você pratica
primeiramente os nomes, antes de chegar aos lugares.
Depois, diante da cidade, começa a pensar nos romanos
com sutileza acintosa: afinal, quem mandou matar
e erguer o Império, e profanar todos os dias?
Procura um aqueduto ou a estátua,
e tudo estará ali, reunido, no ponto
colorido sob os dedos. Mas a vontade
de viajar dardeja ainda mais,
e um traçado contínuo vai afastando
o tempo e o espaço. Uma lagoa à direita
ficará para depois, irremediável
e incrustada no papel como um amuleto.
Você alcança outras zonas com estratégia,
e vai construindo a sua chegada
como o peão que avança, o cavalo
na casa do bispo. Há muito tempo
você vigiava esse contorno em azul metileno
e à tarde está dentro dele:
um animal solto no vilarejo? mas nem apontam
quando você passa, e você acolhe no mapa
um outro destino, sabendo que a página seguinte
revela o mar, sem qualquer ilha ou contemplação.



Hélio Oiticica


















Viajar


Viajar todas as vezes
que o corpo precisar
(fabricar a viagem de alguma substância
da glândula).
As lágrimas são uma necessidade,
assim como o suor:
que a viagem também
transforme seu rosto,
regule a temperatura do corpo.

Depois, ir.

Ir suspenso, guiado por tudo
que produzir
os verbos “fazer chegar”.
Muitas curvas, montanhas,
encontrar com surpresa “córrego,
atalho”, tudo levando à mesma viagem
que já deixa memória,
mas está por começar?


Viagem por onde só a família foi,
viagem que tem animais, portas,
nomes de lugares.
E a persistência
enfática:
continuar. Febre, sede.

Depois, voltar?
Induzir a turva reação
de cores prolongadas, e partir
para outro caminho,
à solta.
A viagem repete o viajante,
e ele não nota.

sábado, 14 de maio de 2011

MANUEL ANTÓNIO PINA



 O ganhador do Prêmio Camões 2011, considerado o mais importante em língua portuguesa, foi Manuel António Pina. O autor tem 67 anos e goza de grande prestígio entre a crítica portuguesa por seu trabalho de cronista, poeta e tradutor.  A sua obra, “acessível e ao mesmo tempo de grande complexidade”, nas palavras do jurado português Abel Baptista, pesquisador especializado nas literaturas brasileira e portuguesa, é composta por mais de 40 títulos, muitos correspondentes a obras infantis utilizadas em escolas. Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e inspiraram programas de televisão. 

António Pina já tinha sido premiado anteriormente, dentro e fora de Portugal. A sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, holandês e russo. 

Manuel António Pina nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. É jornalista do Jornal de Notícias desde 1971, tendo colaborado noutros órgãos de comunicação social da imprensa, do rádio e da televisão. Ganhou vários prêmios, de que se destacam o Prêmio Calouste Gulbenkian - Melhor Livro Publicado em Portugal em 1986/1987 com a obra O Inventão, e o Prêmio Nacional de Crônica Press Club/Clube de Jornalistas com a obra O Anacronista (1994).

Foi por unânimidade que o escritor português Manuel António Pina ganhou o Prêmio Camões, a maior premiação literária de língua portuguesa. Os jurados se reuniram na manhã desta quinta-feira (12-05-2011)  na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e chegaram rapidamente a uma decisão, consagrando Pina como o vencedor da 23ª edição do prêmio, no valor de 100 mil euros. No ano passado, a láurea foi para o brasileiro Ferreira Gullar. 

O júri foi formado por dois portugueses - a ensaísta e poetisa Rosa Martelo e o ensaísta e professor de literatura brasileira Abel Barros Baptista -, dois brasileiros -o poeta Antônio Carlos Secchim e a romancista Edla Van Steen - e ainda dois representantes dos países africanos de língua portuguesa - a poetisa e ficcionista angolana Ana Paula Tavares e a ensaísta são-tomense Inocência Mata. 

"É a coisa mais inesperada que poderia esperar. Nem sabia que estava hoje a ser discutida a atribuição do prêmio", disse Manuel António Pina ao jornal português "Público". 

Obras: Poesia: Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde (1974); Aquele que Quer Morrer (1978); A Lâmpada do Quarto? A Criança? (1981); Nenhum Sítio (1984); O Caminho de Casa (1988); Um Sítio onde Pousar a Cabeça (1991); Algo Parecido com Isto da Mesma Substância (Poesia Reunida, 1974/1992) (1992); Farewell Happy Fields (1993); Cuidados Intensivos (1994). Ensaio – O Anacronista (1994).

Obras de literatura infanto-juvenil: O País de Pernas parra o ar (1973); Gigões & Anantes (1974); O Têpluquê (1976); O Pássaro da Cabeça (1983); Os Dois Ladrões (1983); História com Reis, Rainhas, Bobos e Galinhas (1984); A Guerra do Tabuleiro de Xadrez (1985); Os Piratas (1986); O Inventão (1987); O Tesouro (1993); O Meu Rio é de Ouro / Mi Río es de Oro (ed. bilingue, 1995); O Livro de Desmatemática (1997).

Poeta ainda pouco divulgado no Brasil, espero que o conjunto de poemas abaixo contribua para levar alguém a procurar os livros de Pina.





POEMAS
  
Agora É

Agora é diferente
Tenho o teu nome o teu cheiro
A minha roupa de repente
ficou com o teu cheiro

Agora estamos misturados
No meio de nós já não cabe o amor
Já não arranjamos
lugar para o amor

Já não arranjamos vagar
para o amor agora
isto vai devagar
isto agora demora


Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu , eu e a discussão.

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu .
Agora as tuas pernas são coisas inúteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.



Completas

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.


Mark Rothko


























A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.



Mark Rothko
































A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?»    E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —


Atropelamento e Fuga 

Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto! 

Mark Rothko






























Aos Filhos

Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.

Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?

Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.

Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!


Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.


A um Homem do Passado

 Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?

Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.

Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.


 


Não o Sonho
 
Talvez sejas a breve
recordação de um sonho
de que alguém (talvez tu) acordou
(não o sonho, mas a recordação dele),
um sonho parado de que restam
apenas imagens desfeitas, pressentimentos.
Também eu não me lembro,
também eu estou preso nos meus sentidos
sem poder sair. Se pudesses ouvir,
aqui dentro, o barulho que fazem os meus sentidos,
animais acossados e perdidos
tacteando! Os meus sentidos expulsaram-me de mim,
desamarraram-me de mim e agora
só me lembro pelo lado de fora.


Mark Rothko































O Resto é Silêncio ( Que Resto?)

Volto, pois, a casa. Mas a casa,
a existência, não são coisas que li?
E o que encontrarei
se não o que deixo: palavras?

Eu, isto é, palavras falando,
e falando me perdendo
entre estando e sendo.
Alguma vez, quando

havia começo
e não inércia,
quando era cedo
e não parecia,

as minhas palavras puderam estar
onde sempre estiveram:
no apavorado lugar
onde sou silêncio.


O que é dito

Alguma coisa em algum lugar
de que o que existe de o que não existe
é isto que escreve e a ciência de isto
a pura voz sem sujeito e o fora de ela.

Esta mão é um acontecimento improbabilíssimo
que o infinito e a eternidade atravessam,
alguma coisa fala de si própria através de ela.
De que pode ela falar senão de tudo?

O que está dentro e o que está fora
e vê e é visto de toda a parte
é o mesmo e o outro
e tudo isto é sabido em mim.




A ferida

Real, real porque me abandonaste?
E, no entanto, às vezes bem preciso
de entregar nas tuas mãos o meu espírito
e que, por um momento, baste

que seja feita a tua vontade
para tudo de novo ter sentido,
não digo a vida, mas ao menos o vivido,
nomes e coisas, livre arbítrio, causalidade.

Oh, juntar os pedaços de todos os livros
e desimaginar o mundo, descriá-lo,
amarrado ao mastro mais altivo
do passado! Mas onde encontrar um passado?



Mark Rothko



 






















O livro

E quando chegares à dura
pedra de mármore não digas: «Água, água!»,
porque se encontraste o que procuravas
perdeste-o e não começou ainda a tua procura;
e se tiveres sede, insensato, bebe as tuas palavras
pois é tudo o que tens: literatura,
nem sequer mistério, nem sequer sentido,
apenas uma coisa hipócrita e escura, o livro.



Não tenhas contra ele o coração endurecido,
aquilo que podes saber está noutro sítio.
O que o livro diz é não dito,
como uma paisagem entrando pela janela de um quarto vazio.




sexta-feira, 13 de maio de 2011

 
 
LANÇAMENTOS

O Cronista: livro de contos de Bolivar Torres

Um cronista social se vê perseguido por imagens nebulosas do seu passado; duas debutantes fumam maconha e questionam seu lugar no universo; um pai de família se rende aos mistérios da noite em uma estrada deserta...

A Oficina tem o prazer de convidar para o lançamento de O cronista, livro de estreia de Bolívar Torres:

BOTECO SALVAÇÃO - RUA HENRIQUE DE NOVAES, Nº 55. BOTAFOGO.
Dia 16/05 (segunda-feira), a partir das 19h

 
"Ao compor as narrativas curtas que formam esta coleção, Bolívar Torres reprocessa, com grande qualidade, a melhor estética e as melhores referências consolidadas ao longo do século XX em rlação ao gênero literário conto. Faz isso sem abusar da erudição que inegavelmente detém e é tão rara de se encontrar em escritores da sua faixa etária. Não tenho dificuldade em identificar neste seu livro uma grande estréia, o que há a de melhor sendo feito hoje pela que está sendo chamada de a nova geração de prosadores brasileiros".
(Paulo Scott)
 
"O livro trabalha com as melhores influencias: pode-se identificar Kafka e Nabokov em seu texto. Há uma ameaça constante em cada situação e ela pode vir tanto do exterior quanto do íntimo dos personagens. O autor consegue ainda retratar um sulino de classe média, capaz de assumir todas as culpas que passem ao largo ou ao lado..."
(Flavio Braga)
 
"Eis aqui um novo contista que surpreende por contar suas histórias com começo, meio e fim, e que acabam desconcertando o leitor pelos enredos por vezes inusitados, diálogos em suspenso, desfechos imprevisíveis. Os causos aqui relatados (com técnica sofisticada, diga-se, como convém ao nosso tempo), desenovelam enganos e desenganos, tensões urbanas, zonas escabrosas da alma humana, e, o que é melhor, tudo bom de ler".
(Antônio Torres)


JÁ A VENDA 

  

Nas livrarias e no site da editora Oficina Raquel :
 
 


Ensaios de poética e hermenêutica de  Ronaldes de Melo e Sousa 



O saldo destes ensaios de Ronaldes de Melo e Souza é uma compreensão mais plena e profunda do fenômeno literário e uma abertura poética de horizontes hermenêuticos que ampliam o âmbito de estudo da literatura. O nada subage na transparência conjunta de tudo. A visibilidade repousa sobre um fundo de invisibilidade. A presença e a ausência constituem o anverso e o reverso de uma mesma realidade, que se poematiza como o duplo domínio da vida e da morte. Deus e o homem, o mundo e os entes intramundanos são perpassados pela duplicidade primordial da luz e da treva, a que se reportam o aclínio diurno e o declínio noturno, a expansão vital e a contração mortal. Os contrários não contradizem a existência, porque ela os contém em si mesma. No mundo concreto das coisas devenientes, os extremos contrapolares mutuamente se gratificam como expressões do ato genesíaco. Não se concebe a morte como nadificação final, mas como força morfogenética, que condiciona a possibilidade de manifestação da vida. (“A poética rilkiana da existência”).
 
 

Cidade aTravessa


 
 
Evento de literatura que acontece em três cidades do mundo, chega a Lisboa
  
Depois de um ano atravessando Rio de Janeiro e São Paulo, o evento mensal Cidade aTravessa: poesia dos lugares cruza o oceano e aporta em Lisboa. Nessa primeira edição portuguesa (décima primeira do evento), nômades portugueses e brasileiros como Ana Luisa Amaral, Antonio Cícero, João Gilberto Noll e Fernando Aguiar, o francês Henri Deluy, o italiano Enzo Minarelli, além de outros poetas vindos do México, Holanda e Reino Unido, se reúnem na Casa Fernando Pessoa durante dois dias para celebrar as várias maneiras de dizer poesia. 
 
Com curadoria dos escritores brasileiros Márcio-André, Victor Paes e Ronaldo Ferrito, o evento surge com a necessidade de criar um núcleo móvel da palavra, unindo os movimentos de diversas partes do mundo e fazendo convergir as inúmeras vertentes poéticas atuais, em seu amplo aspecto de entendimento. Leituras, performances de poesia sonora, filmes que experimentam a palavra, poemas visuais, além de conferências instigantes e entrevistas abertas, levam ao público o que há de mais atual na poesia contemporânea. Tudo, claro, regado a absinto, bebida que se tornou símbolo do evento.
 
Em 2011, o Cidade aTravessa acontecerá revezadamente nas cidades de Lisboa, Rio de Janeiro e São Paulo, sempre com transmissão ao vivo pelo website do evento:
 
 
PROGRAMAÇÃO
 
18 DE MAIO
 
17h: Lançamento de livro 
Polipoesia, de Enzo Minarelli
 
18h: Filmes
O paradoxo da espera do autocarro e Cinco poemas concretos, de Christian Caselli
 
18h20: Leitura
Ruy Ventura (Portugal)
Ramón Peralta (México)
Victor Paes (Brasil, online)
 
19h: Entrevista aberta
Antonio Cicero (Brasil)
Henri Deluy (França) 
 
20h: Performance de poesia sonora
Fernando Aguiar (Portugal)
 
 
19 DE MAIO
 
17h: Conferência-bomba
Cartografia das igrejinhas na poesia portuguesa, traçada por dentro e por fora
Graça Capinha (Portugal, UC)
Arie Pos (Holanda, FLUP)
 
18h: Filme
Cidade reposta, de Márcio-André
 
18h20: Leitura
Ana Maria Ramiro (Brasil)
Guilherme Zarvos (Brasil)
João Rasteiro (Portugal)
 
19h: Entrevista aberta
Ana Luisa Amaral (Portugal) 
João Gilberto Noll (Brasil)
 
20h: Performance de poesia sonora
Enzo Minarelli (Itália)
 
 
Em exposição
Intervenção poético-visual de Ricardo Silveira

Ronaldo Ferrito

www.confrariadovento.com
www.confrariadovento.com/cidadeatravessa.htm
http://confrariadovento.blogspot.com