quinta-feira, 26 de julho de 2012

Anamaria Mayol



























Deletrear

Deletreo
el nombre que me nombra

siento crujir el cuerpo
desde la infancia

deletreo
la palabra
útero
mitad costado
desencuentro

deletreo
identidad
esperma
mano izquierda
abandono

rastro en el vuelo
de los pájaros

signos gestos
que han de parir
para nacer la muerte

deletreo
tristeza
sobre las líneas de las manos

dibujo asimétricas letras

llevan los ojos
que parieron mis ojos

cuando aprendí
a deletrear
ausencia


 

Soletrar 

     Tradução de José Antônio Cavalcanti

Soletrar
o nome que me nomina

sinto o corpo tremer
desde a infância

soletro
a palavra
útero
metade costado
desencontro

soletro
identidade
esperma
mão esquerda
abandono

vestígio do voo
dos pássaros

signos gestos
que hão de parir
para que a morte nasça

soletro
tristeza
nas linhas das mãos

desenho letras assimétricas

levam os olhos
que pariram os meus olhos

quando aprendi
a soletrar
ausência

Safo






















Um poema de Safo (século VI a. C) traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos.

 
Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,

e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai
a minha voz,

a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,

e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.

Manuel António Pina

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um poema de Manuel António Pina, vencedor do Prêmio Camões de 2011.

NUMA ESTAÇÃO DE METRÔ

A minha juventude passou e eu não estava lá.
Pensava em outra coisa, olhava noutra direcção.
Os melhores anos da minha vida perdidos por distracção!

Rosalinda, a das róseas coxas, onde está?
Belinda, Brunilda, Cremilda, quem serão?
Provavelmente professoras de Alemão
em colégios fora do tempo e do espaço!

Hoje, antigamente, ele tê-las-ia
amado de um amor imprudente e impudente,
como num sujo sonho adolescente
de que alguém, no outro dia, acordaria.

Pois tudo era memória, acontecia
há muitos anos, e quem se lembrava
era também memória que passava,
um rosto que entre os outros rostos se perdia.

Agora, vista daqui, da recordação,
a minha vida é uma multidão
onde, não sei quem, em vão procuro
o meu rosto, pétala dum ramo húmido, escuro.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Anacreonte/Drummond






Dose dupla de uísque Poiésis. Programa de hoje: Como Drummond mastigou Anacreonte, dissolveu-o com enzimas de ironias e cuspiu um riso enlouquecido e amargo no rosto descarnado da morte.


Anacreonte (Teos, Iônia, c. 560 a.C.),tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos

Encaneceram minhas têmporas
tenho a cabeça calva e branca,
deixou de estar comigo
a amável juventude,
e já meus dentes são de velho
Resta-me breve prazo
de doce vida; e assim
eu ergo o meu lamento
com pavor do outro mundo.
Terrível é a mansão da morte,
árduo o caminho para lá;
é certo que uma vez lá embaixo
não haverá retorno.


Carlos Drummond de Andrade

DENTADURAS DUPLAS

Dentaduras duplas!
Inda não sou bem velho
para merecer-vos...
Há que contentar-me
com uma ponte móvel
e esparsas coroas.
(Coroas sem reino,
os reinos protéticos
de onde proviestes
quando produzirão
a tripla dentadura,
dentadura múltipla,
a serra mecânica,
sempre desejada,
jamais possuída,
que acabará
com o tédio da boca,
a boca que beija,
a boca romântica?...)

Resovin! Hecolite!
Nomes de países?
Fantasmas femininos?
Nunca: dentaduras,
engenhos modernos,
práticos, higiênicos,
a vida habitável:
a boca mordendo,
os delirantes lábios
apenas entreabertos
num sorriso técnico
e a língua especiosa
através dos dentes
buscando outra língua,
afinal sossegada...
A serra mecânica
não tritura amor.
E todos os dentes
extraídos sem dor.
E a boca liberta
das funções poético-
sofístico-dramáticas
de que rezam filmes
e velhos autores.

Dentaduras duplas:
dai-me enfim a calma
que Bilac não teve
para envelhecer.
Desfibrarei convosco
doces alimentos,
serei casto, sóbrio,
não vos aplicando
na deleitação convulsa
de uma carne triste
em que tantas vezes
me eu perdi.

Largas dentaduras,
vosso riso largo
me consolará
não sei quantas fomes
ferozes, secretas
no fundo de mim.
Não sei quantas fomes
jamais compensadas.
Dentaduras alvas,
antes amarelas
e por que não cromadas
e por que não de âmbar?
de âmbar! de âmbar!
feéricas dentaduras,
admiráveis presas,
mastigando lestas
e indiferentes
a carne da vida!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios

2ª FESTA DE LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios


- Entrevista com o escritor e editor Carlos Emílio C. Lima.


- Recital com os poetas e ficcionistas das antologias cronopianas.


Sexta-feira, dia 20 de julho, às 19h30

Local: Casa das Rosa Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Poesia erótica grega




 
 
 
 
 
 
 


Epigrama 113, Marco Argentário

Ἠράσθης πλουτῶν, Σωσίκρατες, ἀλλὰ πένης ὢν

οὐκέτ' ἐρᾷς· λιμὸς φάρμακον οἷον ἔχει.
ἡ δὲ πάρος σε καλεῦσα μύρον καὶ τερπνὸν Ἄδωνιν
Μηνοφίλα νῦν σου τοὔνομα πυνθάνεται·
“Τίς πόθεν εἶς ἀνδρῶν; πόθι τοι πτόλις;” ἦ μόλις ἔγνως
τοῦτ' ἔπος, ὡς οὐδεὶς οὐδὲν ἔχοντι φίλος.
Tradução de Luiz Carlos André Mangia Silva

Tu foste amado, Sosícrates,
quando rico. Pobre agora
não amas mais. Fome à porta -
sai o amor pela janela.

Menófila, aquela que ontem
te chamava por Adônis
sedutor e perfumado,
hoje te interroga o nome:

“Ora, quem és? De que família
e pátria?” Certo, aprendeste
penosamente o provérbio:
“Sem dinheiro nada feito.”

sábado, 7 de julho de 2012

Marcelo Sahea


  

'medo' (fear), by marcelo sahea
videopoema-performance
trilha sonora: som processado de saliva
1min, 2009

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Revista Arraia PajeúBR nº 4




Editor: Carlos Emílio C. Lima

Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.

Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.


1) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Contologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
TERE TAVARES, MAURO PAZ, VALTER FERRAZ,VERA HELENA ROSSI, RAFAEL SPERLING, ELEONORA DUCERISIER, PEDRO COSTA REIS, JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI, MÁRCIA BARBIERI, LEANDRO MAYFAIR, LETÍCIA PALMEIRA, WILAME PRADO, FILIPE JARDIM,WALDEMIR MARQUES, EMÍLIA BARBÉS, UDO ...BAINGO, AFONSO JUNIOR FERREIRA DE LIMA, ALEX SENS FUZIY, DOUGLAS EVANGELISTA, ALEKSANDRO COSTA, DANIEL LOPES, LARISSA MARQUES, AMANDA VOX, CAMILA FORTUNATO, LUAN MAITAN, IVAN GUARDIA, WALTER SOLON, IGOR FARIAS, DANIEL MATOS, TAMARA COSTA, MIRTES LEAL, ÁLVARO DIAS CUBA, RONIE VON ROSA MARTINS, AIRTON UCHOA NETO, NINA RIZZI, JULIANA FRANK, ANDRÉIA DONADON LEAL, SUELI MAIA, MILENA MARTINS, PAULO MOHYLOVSKI, HUGO CREMA, EDUARDO SABINO, TIAGO BASÍLIO DONOSO, POTYGUARA ALENCAR, ANTÔNIO ALVES JUNIOR, GUILHERME COBELO, EDUARDO SIGRIST, MARCIO G. PERFETTO, JANA LAUXEN, BRUNA G. GALVÃO, SHEYLA SMANIOTO MACEDO, ADRIANO DO VALE, PEDRO COSTA, DANIEL FERREIRA, LUCINEIDE SOUTO, JONATAN DOLL, EDUARDO ESCARPINELI, GLAUCO LEANDRO, EDSON COELHO.

2) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Poemantologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
BRUNO MOREIRA, EUNICE BOREAL, TOMAZ AMORIM IZABEL, ANDERSON PETRONI, MARCOS VINICIUS ALMEIDA, RENATA DE ANDRADE, ÂNGELA CASTELO BRANCO, NATHALIA RECH, OTAVIO RANZANI, ERYCK MAGALHÃES, VANESSA CAMPOS ROCHA, MÁRCIO ARAUJO, JOÃO NICODEMOS, NYDIA BONETTI, CLARICE LINDEN, WENDER MONTENEGRO, RAPHAEL BARROS ALVES, EMANUEL RÉGIS, ATHOS GUIOU, TALLES MACHADO HORTA, LUCAS DOS PASSOS, MARCELI ANDRESA BECKER, MARCELO DONATTI, FLÁVIA IRIARTE, CAROLINA CAETANO, WILSON TORRES NANINI, CHICO PASCOAL, GABRIELA MARCONDES, ISAÍAS FARIA, DARLAN M.CUNHA, GERSON CHAGAS, GRUPO POENOCINE: ARIANE ALVES DOS SANTOS, JONAS PEREIRA SANTOS, LUIS FELIPE DE LUCENA JUNIOR, MICHELL FERREIRA, PAULO SPOSATI ORTIZ E SIMONE SPILLBORGHS; MURYEL DE ZOPPA, ANA F., LÉO MACKELLENE, IVALDO RIBEIRO FILHO, DEMETRIOS GALVÃO, YLO BARROSO, MARCELO BITTENCOURT, RODRIGO VARGAS, REINALDO PIMENTA, CHICO SOMBRA, LUIZ VALADARES, KILITO TRINDADE, RENATA FLÁVIA, TITO DE ANDRÉA, CARLOS ALBERTO, TIAGO ALVES, ALUÍSIO MARTINS, AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI.


Lançamento em São Paulo, dia 17 de julho, às 19h30
na sede da FUNARTE em São Paulo
Alameda Nothmann, Nº 1058 – Centro. Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô.