quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Walter Benjamin


Jean Selz (left), Paul Gauguin (the painter’s grandson), Benjamin, and fisherman Tomás Varó (with hat) sailing in the bay of San Antonio, May 1933.
















Passagem pela Rua de mão única


Certos textos são assustadores pelas semelhanças que despertam. Hoje reencontrei Walter Benjamin numa esquina da Rua de mão única.
- Troque a última palavra da nossa conversa por "brasileiros" - disse-me baixinho ao nos despedirmos.

"Um estranho paradoxo: as pessoas só têm em mente o mais estreito interesse privado quando agem, mas ao mesmo tempo são determinadas mais que nunca em seu comportamento pelos instintos da massa. E mais que nunca os instintos de massa se tornaram desatinados e alheios à vida. Onde o obscuro impulso do animal - como o narram inúmeras anedotas - encontra a saída do perigo que se aproxima e que ainda parece invisível, ali essa sociedade, da qual cada um tem em mira unicamente seu próprio inferior bem-estar, sucumbe, como massa cega, com inconsciência animal, mas sem o inconsciente saber dos animais, a cada perigo, mesmo o mais próximo, e a diversidade de alvos individuais se torna irrelevante perante a identidade das forças determinantes. Repetidamente se mostrou que seu apego à vida habitual, agora já perdida há muito tempo, é tão rígido que frustra a aplicação propriamente humana do intelecto, a previdência, mesmo no perigo drástico. De modo que nela a imagem da estupidez se completa: insegurança, perversão mesmo, dos instintos vitalmente importantes, e impotência, declínio mesmo, do intelecto. Essa é a disposição da totalidade dos burgueses alemães."

In Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 1987, p.21.


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