Adrienne Rich





What Kind of Times Are These

There’s a place between two stands of trees where the grass grows uphill
and the old revolutionary road breaks off into shadows
near a meeting-house abandoned by the persecuted
who disappeared into those shadows.

I’ve walked there picking mushrooms at the edge of dread, but don’t be fooled
this isn’t a Russian poem, this is not somewhere else but here,
our country moving closer to its own truth and dread,
its own ways of making people disappear.

I won’t tell you where the place is, the dark mesh of the woods
meeting the unmarked strip of light—
ghost-ridden crossroads, leafmold paradise:
I know already who wants to buy it, sell it, make it disappear.

And I won’t tell you where it is, so why do I tell you
anything? Because you still listen, because in times like these
to have you listen at all, it’s necessary
to talk about trees.

* * *

Tradução de José Antônio Cavalcanti


Que tempos são estes? *

Há um lugar entre fileiras de árvores onde a grama cresce morro acima
e o velho caminho da revolução se desfaz entre sombras
próximo a uma casa de reuniões abandonada pelos perseguidos
que desapareceram nessas sombras.

Andei por lá colhendo cogumelos no fio do espanto, porém não te enganes
este não é outro poema russo, este não é qualquer outro lugar, é aqui,
nosso país aproximando-se de sua própria verdade e espanto,
de seu modo particular de desaparecer as pessoas.

Não vou te dizer onde fica esse lugar, a trama obscura da mata
se encontra com franja sem marca de luz —
encruzilhadas mal assombradas, paraísos de folhas mortas
já sei quem deseja comprá-lo, vendê-lo, fazê-lo desaparecer.

E não vou te dizer onde fica. Para que te digo isso, então?
Porque você ainda ouve, porque em tempos como estes
ter alguém à escuta é tudo, é necessário
falar sobre árvores.


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