JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI

Depois de uma certa ausência, resolvi inserir um pequeno poema meu. Vai junto com um trabalho de Beatriz Milhazes, pintora por quem sou complemante maluco. Para mim, é uma das grandes vozes da poesia brasileira.



QUEBRADA

Hora da alcateia na praça.
Sigo
o hálito transbordante
da desordem.

Uma lua de cobre
em sua órbita pedestre
poderia.

Inscrito na linhagem
do círculo,
salto possibilidades e geometria.

Invado a zona secreta
da casa de intolerância,
turva escrita de decretos
para burla e tédio.

Encurralado no escuro,
derrubo o rumor de qualquer traçado.

Órbita pessoal possível:
à deriva, ao léu, ilegível,
apenas o imprevisto por caminho.

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