LANÇAMENTOS

A Oficina Raquel tem o prazer de convidar para os lançamentos de

Alberto Pucheu primeiro autor da coleção de ensaios Canace com O amante da literatura (saiba mais em http://oficinaraquel.com/alberto.html)

André Dick que, publicando pela primeira vez com a Oficina, nos apresenta seu livro de poemas Calendário (saiba mais em http://oficinaraquel.com/andre.html)

Mauricio Chamarelli Gutierrez com seu segundo livro de poema, Largo (saiba mais em http://oficinaraquel.com/mauricio2.html)

Os lançamentos ocorrerão nos dias 19 de outubro, terça-feira, na CASA DAS ROSAS,em São Paulo, e 21 de outubro, quinta-feira, no FÓRUM DE DE CIÊNCIA E CULTURA DA UFRJ, no Rio de Janeiro.

 
LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

(com a presença de André Dick, Alberto Pucheu e Mauricio Chamarelli Gutierrez)

CASA DAS ROSAS

Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Av. Paulista, 37 – Bela Vista, São Paulo

19 de outubro, terça-feira, 19h às 21:30



LANÇAMENTO NO RIO DE JANEIRO

(com a presença de Alberto Pucheu e Mauricio Chamarelli Gutierrez)

FÓRUM DE CIÊNCIA E CULTURA

(Av. Pasteur, 250 - Urca, Rio de Janeiro)

21 de outubro, quinta-feira, das 18h às 21:30

SOBRE ALBERTO PUCHEU E O AMANTE DA LITERATURA, QUE INAUGURA A COLEÇÃO CANACE

Alberto Pucheu abre a coleção Canace, que edita ensaios inéditos de jovens autores. A
presença de Luís de Camões na epígrafe, “Qual Canace, que à morte se condena/ Nua
mão sempre a espada, e noutra a pena” (Os Lusíadas, VII, 79, 7-8), além de prestar uma
homenagem ao grande poeta de língua portuguesa, sugere uma possível essência do
ensaísmo: lutar por um argumento, com “engenho e arte”.

O amante da literatura (de) Alberto Pucheu não tenciona estabelecer um panorama
da história literária, menos ainda analisar o mundo das letras de longe, tal qual um
espectador privilegiado por suas variadas leituras. É por isso que, como um amante que
não se separa do objeto amado, Pucheu procura, alimenta-se, digere e às vezes até se
abstém de sua amante – mas sempre sentido-a por perto como uma ausência. Assim,
por mais que a literatura possa (e deva) ser fugitiva, escorrendo pelos dedos daquele
que a persegue, seu amante sempre estará à espreita do momento de ao menos tentar
apreendê-la.

SOBRE ANDRÉ DICK E CALENDÁRIO

Calendário é uma bela apresentação da poética imagética e sensível de André Dick.
É também um espaço de trânsito de lugares e tempos; e ainda de autores do cânone
literário – brasileiro e estrangeiro –, como Drummond, Sylvia Plath, Leminski, Wallace
Stevens, Barthes, Paul Celan, William Carlos, Williams, Murilo Mendes. Segundo
RIcardo Corona, prefaciador do livro “Calendário é feito, sobretudo, de extrações
surpreendentes do detalhe, de olhares que miram o mínimo, que o marcam com ritmo
e imagens de rara beleza, que o atravessam de muitas maneiras e cujo endereço não
é endereço, mas lugar. Podemos, assim, perceber ritornelos destes acontecimentos
imagéticos que tanto se fazem presente num único poema quanto em todo o livro, livro-
ritmo.”

leia um poema de André Dick

O OLHAR

O olhar estabelece
a distância entre os quadros
e o copo de leite vigiado pelo gato
com os olhos vermelhos como artérias ou ímpetos pulmonares
(foram ao parque e esqueceram de abrir a água da torneira)
agora que ele pode se transformar num pote de tinta,
um quadro de Mondrian, num jardim; falta que sobre esta
paisagem própria do inverno, ainda em cima de outra –
qualquer sede: faz sentir o tempo e
sua ausência, a lentidão do pulso quando
não falha, já se perdeu, irregular e aflito, embora mie
entre as síncopes das árvores, assustado
com os longos galhos da floresta negra.


SOBRE MAURICIO CHAMARELLI GUTIERREZ E LARGO

Em seu segundo livro, o poeta Maurício Chamarelli Gutierrez nos apresenta uma
bela e bem cuidada reunião de poemas em prosa. Em Largo, temas tradicionais da
escrita contemporânea como o espaço, o tempo e a subjetividade são explorados por
Maurício neste livro. Poético porque prosaico, e porque não o inverso, Largo trata-se
de uma “Escrita para o homem qualquer. Trivial. O homem de negócios, o homem de
ação, que não nos lê ou a qualquer coisa que lemos, mas que partilha da mesma vida,
que esbarra em nós no mar da mesma loucura da cidade cheia de surpresas”

leia um poema de Mauricio chamarelli Gutierrez

Antes de qualquer coisa, ante a coisa qualquer

Prosa porque não se trata mais de escrever poemas (nunca se tratou). Trechos de romances nunca começados, herdeiros de sua fala impura, estes escritos envergam com orgulho a marca inegável da imprecisão (tomamos assim ciência da insuficiência de todo dito). Não se trata mais de acertar o alvo, mas de abrir córregos em todas as direções. De acatar a falibilidade de toda escolha num revés de  sabedoria: quando o silêncio é a única resposta, talvez seja o caso de não fazer mais perguntas. Vale simplesmente falar, quando se está pleno de silêncios, o vazio vazando por cada poro do braço que escreve.

Fragmentos de um diário de bordo, memórias de um imaginário inspetor de escola, aqui se engorda uma tradição que não remonta a Homero senão indiretamente, nunca por filiação. Tendo de passar primeiro por Henry Miller. Ou por Rimbaud, o demônio iluminado que nos legou a maldição deste lugar ubíquo que é o poema em prosa – última fala possível, pequena suspensão antes da derradeira queda no abismo. Escrevemos prosa. Prosaicamente. Escrita para o homem qualquer. Trivial. O homem de negócios, o homem de ação, que não nos lê ou a qualquer coisa que lemos, mas que partilha da mesma vida, que esbarra em nós no mar da mesma loucura da cidade cheia de surpresas; o homem que é nosso amigo e parente, cujo cotidiano é tão extraordinário quanto qualquer outro, que morre do mesmo mal que nos espreita e se esgueira entre café e suor sob o sol escaldante da ex-capital do país. Trívio, de trivial: o encontro de três vias ou caminhos. Mais comumente: largo.

Trata-se (para nós, sempre) de escrever no alheamento em que, longe de nossas aflitas telas em branco, nos encontramos com o homem do mundo. Para ganhá-lo. Não uma pretensa facilidade, mas a fala sem passado, como um vampiro, não como um e-mail de propaganda (o vampiro esquece, precisa esquecer, só assim ele pode seduzir). São, portanto, epístolas com destinatário incerto. A  prosa pensada das confissões perigosas. Na espera desesperada de que a urdidura dessas palavras possa tecer a vela para uma embarcação mais sutil; de que o entrelace ambíguo dessas cartas possa resistir ao vento que lhes sopra e nos lance de volta ao mar de que nos perdemos.

Aí, talvez, possamos compor um mapa.

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