segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cecília Meireles





Quero uma solidão, quero um silêncio,
uma noite de abismo e a alma inconsútil,
ara esqueer que vivo – libertar-me

das paredes, de tudo que aprisiona;
atravessar demoras, vencer tempos
pululantes de enredos e tropeços.,

quebrar limites, extinguir murmúrios,
deixar cair as frívolas colunas
de alegorias vagamente erguidas.

Ser tua sombra, tua sombra, apenas,
e estar vendo e sonhando à tua sombra
a existência do amor ressuscitada.

Falar contigo pelo deserto.


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