quarta-feira, 15 de junho de 2016

Adrienne Rich (1929-2012)















Tempo norte-americano II

Tudo o que escrevemos
Será usado contra nós
ou contra aqueles que amamos.
São estas as condições,
é pegar ou largar.
A poesia nunca teve hipótese
de se pôr fora da história.
Um verso dactilografado há vinte anos
pode ser escarrapachado a tinta na parede
para glorificar a arte como distanciamento
ou tortura daqueles que
não amamos mas também
não quisemos matar

Nós seguimos mas as nossas palavras ficam
tornam-se responsáveis
por mais do que tínhamos na intenção

e isto é privilégio verbal.

Tradução de Maria Ramalho e Mónica Andrade

In Uma Paciência Selvagem. Lisboa: Cotovia. 2008.

Nenhum comentário:

Postar um comentário