sábado, 3 de dezembro de 2011

Manuel Bandeira




















SATÉLITE




Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira


Muito cosmograficamente
Satélite.


Desmetaforizada.
Desmitificada.


Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados,
Mas tão-somente
Satélite.


Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas:
Sem show para as disponibilidades sentimentais!


Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

(BANDEIRA, Manuel. In Estrela da vida inteira. 4a. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p. 232.)

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